Há algum tempo o Alexei escreveu esse post sobre a filha dele. Além do maravilhoso desenvolvimento da Lara, me chamou antenção a emoção que ele sentiu no momento.
Não consegui parar de pensar nisso... como as emoções ficam à flor da pele aqui. Imediatamente comecei a procurar uma explicação... Fiquei com medo que essa situação entre no rol das perguntas sem respostas. Junto com outra pergunta: "Por que vcs imigraram?". Toda vez que respondo essa pergunta, sai alguma coisa sem sentido e pouco convincente, que demonstra que não sei o que me trouxe até aqui...
Voltando as emoções... minha primeira explicação foi que poderíamos estar sobre o efeito da saudade. Descartei essa possibilidade rapidamente, pois essa sentimento que nos aflora não nos remete ao vazio e melancolia que acompanham a saudade. Claro que sinto saudade da família e amigos, mas (ainda) não é o sentimento que me faria sair do meu centro, que não é tão central assim.
Talvez o sentimentalismo venha da descoberta do novo. A primeira vez que comecei a descobrir o novo não me deixou nenhuma recordação viva. Tinha algumas horas de vida e o ar tinha acabado de entrar nos pulmões. Desse momento em diante minhas descobertas foram diluídas em 32 anos de vida até 2009.
No momento que coloquei os pés no Canadá e o novo ar invadiu os pulmões, as descobertas foram de 0 à 100 em 14 meses. O que é devagar, mas pode ser rápido dependendo do referencial. Entre aprender a falar e tirar a carteira não se passaram 18 anos, mas alguns meses... Acho que isso deixa os poros mais abertos.
Mas, posso estar errado de novo. Talvez esse negócio de tantar examinar o sentimento não seja uma boa... Sentir com inteligência e pensar com emoção, não fazem parte do meu ser. Não consigo ser um coração e um cardiologista ao mesmo tempo. Meu instinto extremamente emocional teve que aprender um sistema de pensamentos lógicos e racionais. Fruto de um treinamento que veio do lado profissional de quem tem que pensar em causa e consequencia, 0 ou 1, branco ou preto. Entretanto, os dois lado não convivem em harmonia e o cinza não é possível. Então, o que começa lógico, com matrizes e planilhas, podem passar por um chute no balde, no pau da barraca e em qualquer coisa que passe na frente, até voltar ao fechamento quase sempre lógico, mas com o pé quebrado.
Dessa forma, um simples caminho reto, dentro do ônibus... pode se transformar em lágrimas. Basta ter a combinação correta de cores de um nascer de sol e uma música ouvida no IPod.
Talvez a personalidade seja a resposta... ou talvez seja só esquizofrenia mesmo.
Tenho pena de você que está lendo isso e a essa altura já deve ter percebido que não vou conseguir responder coisa nenhuma. Estranhos caminhos que um teclado pode nos levar.
Porém tenho uma certeza... não quero que emoção vá embora. Dessa forma podemos continuar vivendo "além do mito que limita o infinito" e "além do dia-a-dia que esvazia a fantasia".
Desculpem se o posto ficou um pouco pessoal... Talvez ele devesse ser transplantado para o outro blog.
Desculpem se o post ficou impossível de entender... Talvez ele não devesse ter sido escrito.
Fico aqui na esquina entre a sala de espera, e sala de cirurgia, lugar silencioso para entender o movimento.
... e sem saber quem escreveu o post: o coração ou o cardiologista.
vou ficando por aqui e pedindo desculpas ao Humberto Gessinger e deixando um abraço ao russo-brasileiro-quebecois Alexei.
Aluguel na Alemanha | nossa experiência
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