No nosso processo de imigração tem um aspecto em que falhamos, ao meu ver, miseravelmente: integração com os locais.
A maioria das pessoas que conheço tem algum tipo de interação (social, fora do trabalho) com as pessoas daqui.
Um vizinho que venha visitar ou trocar receita, mães de colegas da escola, colegas de trabalho que aparecem para um churrasco com cerveja, etc.
Nós não temos.
Não é que precisamos de amigos, ao imigrar fizemos grandes amigos brasileiros. Amigos mesmos. Desses que não se encontra todos os dias.
Mas, acho importante ter esse tipo de interação social se daí surgir uma bela amizade, melhor ainda.
O povo daqui não tem culpa. Não vejo aquele lance de pessoas fechadas e distantes.
Acho que a culpa é mais minha mesmo, afinal sou eu que vou trabalhar todos os dias e que tenho mais contato com o povo daqui.
E porque não os convido?
Já parei para pensar nisso várias vezes. Sinceramente não sei. Tenho certeza que o pessoal viria.
Talvez tenha a ver com vergonha. Sério, quem me conhece vai pensar que estou de sacanagem, mas é verdade, até os mais extrovertidos às vezes tem vergonha.
Eu morro de vergonha de falar em inglês na frente de outros brasileiros. Não sei o que é isso. Até da Lidiana tenho vergonha. Quando vou resolver alguma coisa no telefone, subo e vou pro quarto.
Não sei o que é... Sinto como se as pessoas estivesse prestando atenção para saber se sei falar.
Mesmo sabendo que não é verdade, rola esse bloqueio.
Engraçado que não tenho a menor vergonha de conversar e puxar conversa quando estou sem outros brasileiros por perto.
Mas, também não acho que esse é o problema, mas com certeza essa vergonha atrapalha um pouco.
O fato é que eu e a Lidiana já pensamos um monte sobre como reverter a situação, mas ainda não conseguimos.
Sempre que penso em fazer alguma coisa, acabando inventando alguma desculpa esfarrapada na minha cabeça e desisto.
No aspecto social ainda estamos no How are you today e have a nice day.
E tome português no fim de semana.
Para variar, o único que quebrou a regra foi o Levi que está sempre nas festas de aniversário e outro dia foi brincar sozinho na casa de um coleguinha da escola.
Vou pedir umas dicas para ele.
Post dedicado ao Otávio e Bia dos trigêmoes, Amanda do supernatural, Ravi e Soraya, e para o resto da galera que soube como vencer essa barreira. Tenho uma inveja (branca) danada de vcs!